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 MEDICINA
ANO 1 • Nº 4 
A Menopausa e a Osteoporose


Maurício Soares
Segundo estudiosos sobre Osteoporose em mulheres na Pós-Menopausa, elaboradas sob a coordenação da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina,o aumento na expectativa de vida das populações faz com que a osteoporose seja
atualmente reconhecida como uma importante questão em termos de saúde pública. Dados alarmantes mostram que uma mulher de 50 anos apresenta risco de 17,5% de apresentar uma fratura osteoporótica do fêmur ao longo de sua vida, paralelamente ao risco de 15,6% para fraturas vertebrais, de 16% para o rádio distal (braço) e de aproximados 40% em qualquer outro local do esqueleto. A presença de uma única fratura vertebral representa um risco adicional de 20% para a ocorrência de uma nova fratura. É importante destacar também que microfraturas ocultas são comuns em mulheres menopausadas e indicam aumento de três a cinco vezes no risco de fraturas osteoporóticas. Trabalhos científicos mostram que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com mais de 50 anos de idade terão, ao longo da vida, pelo menos uma fratura decorrente de fragilidade óssea. Nas mulheres brancas, o risco de fratura de quadril é maior que o câncer de mama. A expressão “pessoas com mais de 50 anos” inclui fatalmente aquelas que chegarão aos 70 ou 80 anos de idade, e a osteoporose é uma doença da longevidade. Como a expectativa de vida está aumentando, existe uma probabilidade muito alta de as mulheres, principal alvo dessa afecção, apresentarem comprometimento da microarquitetura do osso e fragilidade óssea, aumentando o risco de fraturas. Vale destacar ainda a comparação com o risco de câncer de mama. As mulheres temem muito esse tipo de câncer por ser uma doença potencialmente mortal, além de o tratamento ser muito agressivo e mutilador. A comparação com tal câncer tem um impacto muito forte sobre as mulheres, por isso a afirmação de que o risco de fratura de quadril é maior que o de câncer de mama chama atenção. De fato, a fratura de quadril tem uma taxa de mortalidade muito mais alta que a do câncer de mama. Em função dos programas de rastreamento do câncer de mama, sua incidência não diminuiu, mas o diagnóstico está ocorrendo em etapas mais precoces, com maior possibilidade de cura. Já na fratura de quadril, o tratamento é cirúrgico, com colocação de prótese e intenso programa de fisioterapia, sem contar com o grande número de complicações pós-operatórias. O índice de mortalidade ao longo do primeiro ano pós-operatório chega a 20% das pacientes.
Portanto, trata-se de um problema não somente de alta incidência, mas também de alta mortalidade. Nos consultórios médicos, o diagnóstico de mulheres com fragilidade óssea apresentou tendência de aumento nos últimos anos. Cada vez mais mulheres têm sido atendidas no período do climatério (perimenopausa), sendo importante lembrar que a osteoporose se instala com grande velocidade após a menopausa.


O término de função dos ovários leva à deficiência estrogênica, que, por sua vez, compromete a saúde dos ossos. Há perda de massa e comprometimento da microarquitetura, resultando em fragilidade óssea. Portanto, o médico que atende pacientes menopausadas tem sempre a oportunidade de fazer o diagnóstico. Como é uma doença silenciosa, a paciente acaba vindo ao ginecologista por outras razões, como preocupação com o câncer de mama ou simples realização do exame de Papanicolaou. Neste momento, o ginecologista pode identificar as pacientes de risco e solicitar um exame que atualmente domina bem: a densitometria óssea. Por meio dela, o médico pode detectar uma doença já estabelecida (diagnóstico densitométrico da osteoporose) ou uma osteopenia mais grave, próxima do limite com a osteoporose.
Um dos primeiros fatores de risco para a fragilidade óssea é a não-obtenção de um pico de massa óssea satisfatório por volta dos 35 ou 40 anos, certamente decorrente do recebimento de uma quantidade inadequada de cálcio ao longo da vida. Outro fator de risco é hormonal: o hipoestrogenismo tem grande importância no desenvolvimento da osteoporose entre as mulheres, podendo ser um fator de risco adicional no caso de menopausa precoce. Além disso, outros fatores importantes são: a falta de atividade física, a utilização de certos medicamentos (como corticóides, hormônios tireoideanos sem indicação e controle, alguns diuréticos e anticonvulsivantes), a ingestão excessiva de cafeína e de alguns tipos de refrigerante, o tabagismo, o consumo de álcool e o baixo peso. Na época em que a mulher está na perimenopausa, o ginecologista precisa ficar atento e verificar outros fatores de risco, além dos antecedentes familiares, da etnia (pacientes brancas correm maior risco) e da estrutura física mais delicada, como baixa estatura e ausência de obesidade. Se existe alguma vantagem em ser obesa, esta se dá na massa óssea, pois, com o peso maior, o osso é mais solicitado, e a tendência é de que haja melhor microarquitetura óssea. Assim, as pacientes magras, brancas e com estrutura óssea delicada apresentam fatores de risco agregados. Após uma avaliação inicial, o ginecologista seleciona as pacientes de maior risco e verifica qual a real condição óssea naquele momento por meio da densitometria óssea. Este exame possibilita classificar a paciente em relação a um referencial de osso forte: ela pode tanto apresentar um osso semelhante ao de um adulto jovem, como estar muito distante desse referencial. À medida que a paciente se afasta da densidade mineral do osso de um adulto jovem, caminha em direção à osteopenia ou à osteoporose. Dependendo do estágio em que os ossos estejam, o médico deverá adotar medidas preventivas nos estágios mais avançados, eventualmente introduzir um tratamento farmacológico. È imprescindível mencionar outro fator importante: a ingestão de cálcio. Quase todas as mulheres apresentam baixa ingestão de cálcio, não só no Brasil, mas no mundo todo. O seu consumo, em geral, está abaixo dos requerimentos nutricionais mínimos para a preservação da saúde óssea. Por isso, é preciso orientar a paciente a ingerir leite e derivados ou mesmo indicar uma suplementação de cálcio caso a quantidade ingerida seja insuficiente.

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